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:: J.
Munkelt Gonçalves
_Director
AeroNews
Processem-nos!
No
ano passado, o Governo falou muito sobre a privatização de várias empresas,
entre as quais a TAP. Houve polémica som o Sindicato dos Pilotos da Aviação
Civil (SPAC) e assim que foram canceladas as greves decretadas pelo SPAC,
nunca mais se ouviu falar neste assunto.
Entretanto,
vários comentadores têm vindo a emitir as suas opiniões – umas a favor,
outras contra – e têm sido publicadas opiniões, à laia de avisos baseados
no que tem acontecido em situações semelhantes no estrangeiro. O Governo já
afirmou que só considerará propostas de possíveis interesados que se
comprometam a manter o hub da TAP
em Lisboa, entre outras restrições.
Uma das
hipóteses que mais se tem ouvido, é a possibilidade da aquisição da TAP
pelo International Aviation Group (IAG), composto pela British Airways (BA)
e pela Iberia.
Ora a BA é
conhecida por absorver outras companhias e os sindicatos dos pessoal da
Iberia estão a começar a queixar-se desse fenómeno. O Sindicato Espanhol
dos Pilotos de Linha Aérea (SEPLA) iniciou uma luta contra a criação da
Iberia-Expressa, argumentando que esta nova companhia low cost vai “roubar” voos à Iberia, esvaziando-a. As greves
decretadas pelo SEPLA sucedem-se, dando base à posição dos pilotos da
Iberia contra a Iberia-Express e a sua política de salários baixos, aproveitando-se
do mau momento de crise que grassa pela Europa e pelo mundo. Recorde-se que
também os tripulantes da BA tomaram uma posição semelhante contra a criação
da New Fleet da BA, que se apoderou de muitos voos e destinos da “BA-mãe” e
que paga uma miséria aos seus trabalhadores. O SEPLA tem vindo a acusar o
IAG – mais concretamente a BA – de estar a apoderar-se de vários
sectores-chave da Iberia, como a carga, as estruturas comerciais no
estrangeiro, etc. Estas atitudes não são de agora, pois a BA já fez o mesmo
com a sua própria New Fleet, a Swissair começou a fazer o mesmo com a TAP
(felizmente este processo foi travado a tempo pela falência da própria
Swissair, que ía arrastando a TAP consigo para o abismo).
O SEPLA
teme que o drama dos trabalhadores da Spanair aconteça novamente com os
trabalhadores da Iberia, só que desta vez não será por falência da
companhia, mas sim por uma estratégica que o SEPLA desconfia que esteja
montada para tirar voos à Iberia e passá-los para a Iberia-Express. Isto
poderia levar a uma dispensa de cerca de cinco mil trabalhadores.
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Assim, a Iberia-Express teria mão-de-obra oferecida em excesso
(os ex-trabalhadores da Spanair e os cinco mil despedidos da Iberia), o que
levaria a salários baixos, como convém! A ingenuidade de se acreditar nos
argumentos do desenvolvimento e da criação de postos de trabalho pode levar
a isto.
Também
por cá deveremos ter muito cuidado com as propostas que nos chegam de
grupos grandes, como o IAG. Não nos custa nada a acreditar que haja uma
proposta de aquisição da TAP, em que o comprador de comprometa a cumprir o
que o Governo português exija contratualmente e que, depois de assinado o
contrato e feito o pagamento, o novo dono da TAP transfira mesmo o hub de Lisboa para Madrid – ou para
outro local qualquer – respondendo ao Governo que teve mesmo de o fazer e
que se o Governo quiser, então que processe judicialmente o comprador. Os
desaforos a que temos assistido fazem-nos acreditar que possa haver gente
que se assuma deste modo. E depois… já será tarde demais.
Portela + 1
Em Janeiro
passado, realizaram-se várias conferências sobre transportes, em que foi
abordado o tema do novo aeroporto de Lisboa, mais uma vez. Este assunto,
que já sofreu várias variantes ao longo de cerca de quarenta anos, vai
ficando cada vez mais gasto e vai aumentando as hipóteses de se enveredar
por situações de remendo em vez de se fazer uma obra a sério. O Governo
opina, a Força Aérea opina, a NAV opina, a ANA opina, as autarquias opinam,
os comentadores (o Aeronews incluído) opinam, mas o tempo vai passando e o
País vai perdendo a oportunidade de se construir uma infra-estrutura que
apoie correcta e eficientemente a nossa pobre economia.
Ainda
assim, achamos que devemos ser um país muito rico, a avaliar pelo modo como
desperdiçamos o que temos de bom e como desprezamos o que poderíamos ter se
mudássemos um pouco a nossa mentalidade. Veja-se a Espanha e o Brasil –
países tão díspares e maiores que o nosso – que aproveitam aerodódromos
militares para uso civil, usando-os para enriquecer as zonas em que estão
inseridos, com baixos investimentos. Por cá iniciou-se essa experiência com
o Aeroporto de Beja, mas deu no que deu. Esperemos que a solução “Portela +
1” não vá pelo mesmo (mau) caminho e que os estudos preparatórios sejam
feitos correctamente e devidamente seguidos e respeitados.
Bons voos!
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