O North American T-6G "Texan" que
o Museu Aero Fénix está a reconstruir


Aero Fénix
Museu de Aeronaves Históricas

 



Projecto de Reconstrução do T-6G 51-15177

NORTH AMERICAN T-6G-AN "TEXAN" (NA-188)

Fabricante:

North American Aviation Co.

Local de fabrico:

Inglewood, Califórnia, E.U.A.

Ano de fabrico:

1951

Modelo N.A.:

NA-188

Modelo U.S.A.F.:

T-6G-AN

Nome:

"Texan"

Número de série U.S.A.F.:

51-15177

Número de construção:

188-040

Número de cauda FAP:

1635

Motor:

1 x Pratt & Whitney R-1340-AN-1

Tipo de motor:

9 cilindros em estrela

Potência à descolagem:

600 hp (nível do mar)


Historial Deste Avião

1950/51

- Transformado em T-6G a partir de um T-6D (?) na fábrica da North American
Aviation Inc. em Inglewood, Los Angeles, California.

27SET51

- Saído da fábrica.

OUT51

- Embarcado no U.S.S. "Corregidor" com destino a Portugal.

23JAN52

- Recebido ao abrigo do M.D.A.P.;
- Aumento à carga da Força Aérea Portuguesa - Matrícula 1635;
- Colocado na B.A.1 Sintra.

1964

- Transferido para a B.A.7 S. Jacinto, Aveiro.

21JAN69

- Após a aterragem, o avião fugiu para a direita e capotou; hélice torcido; falha do operador (Pº 1193.12.69).

10JUL69

- Removido o motor nº 16153.

11JUL69

- Instalado o motor nº 326154.

15JUL69

- Enviado para as O.G.M.A. para I.R.A.N. (C.E. 1380/69).

23SET69

- Início do I.R.A.N.

19JAN70

- Fim do I.R.A.N.

27AGO70

- Removido o motor nº 326154;
- Instalado o motor nº 513292.

02FEV73

- Enviado para as O.G.M.A. para I.R.A.N. (C.E. 453/73).

15FEV73

- Início do I.R.A.N..

24MAI73

- Removido o motor nº 513292.

10AGO73

- Instalado o motor nº 513726;
- Fim do I.R.A.N.

1976

- Efectuou 132:00 de voo neste ano (761:50 desde a última revisão geral);
- Tempo total de voo =
6803:35;
- Submetido a um total de seis I.R.A.N.s.

28DEZ76

- Enviado para as O.G.M.A.

FEV77

- Cedido à Câmara Municipal do Porto, conforme ''rádio'' CY225 FEV77 da Direcção do Serviço de Material.

29JUN77

- Saído das O.G.M.A. com destino ao Porto;
- Exposto no Palácio de Cristal.

04MAI88

- Adquirido pela Associação dos Pilotos Portuguesa de Linha Aérea, Lisboa.

MAR93

- Adquirido por J. Munkelt Gonçalves, Vale de Lobos;
- Museu Aero Fénix, Vale de Lobos.

17JUN96

- Transportado para as instalações da Aeromancia em Tires.

SET96

- Início da desmontagem.

JUL98

- Início da reconstrução para voo.

MAI02

- Aquisição do motor.

OUT02

- Início da montagem da célula do avião.

MAR03
DEZ03
19DEZ06
JAN07

- Instalação do motor.
- Interrupção dos trabalhos e transporte para Santarém, onde ficou armazenado.
- Transporte para Alverca.
- Retoma dos trabalhos de restauro para voo.


A Reconstrução

O T-6 da Aero Fénix está a a ser restaurado num armazém do Museu do Ar, em Alverca.

A equipa de restauro é constituída por:
- José Munkelt Gonçalves, director do projecto;
- Ricardo Reis, engenheiro aeronáutico;
- José Rufino B. Joaquim, mecânico;
- António J. B. Pereira, técnico de metal;
- Carlos Forte, electricista;
- José Manuel Rodrigues, ajudante.
 


1 - SIGNIFICADO DO NORTH AMERICAN T-6
O North American T-6 Texan / Harvard / SNJ foi um dos aviões de instrução e treino mais usados na História da Aviação. Portugal não foi excepção pois foi um dos aviões utilizado em maior número pela Força Aérea Portuguesa (257).

2 - HISTÓRIA DO T-6G (#51-15177) DO MUSEU AERO FÉNIX
Pouco antes da formação da Força Aérea Portuguesa, em 1 de Julho de 1952, a Aeronáutica Militar recebeu vinte T-6G através do Mutual Defense Assistance Program (M.D.A.P.); o 1635 era um deles.
Estes aviões foram então colocados na Base Aérea nº 1 na Granja do Marquês, perto de Sintra. Posteriormente, as esquadras de instrução e treino foram transferidas para a Base Aérea nº 7 em S. Jacinto, Aveiro.
Os T-6 da FAP foram abatidos ao serviço efectivo em Março de 1978 e o 1635 esteve em exposição, durante algum tempo, no Palácio de Cristal no Porto. Após esta exposição, a Câmara Municipal do Porto armazenou-o na cave do palácio até que a Associação dos Pilotos Portugueses de Linha Aérea (A.P.P.L.A.) teve conhecimento da sua existência.
A A.P.P.L.A. adquiriu-o então - na mesma altura que o T-6G #51-14345 ex-FAP 1716 - com vista ao seu restauro para voo. Foi formado um grupo de trabalho para avaliar a viabilidade (técnica e monetária) do restauro mas esta foi considerada dispendiosa pelo que a A.P.P.L.A. optou pela sua venda e foi J. Munkelt Gonçalves que os adquiriu e que veio a formar a Aero Fénix com esse intuito.
Entretanto, o avião foi transportado do Porto para um depósito da Câmara Municipal de Lisboa, junto ao Aeroporto de Lisboa, onde se manteve até 1997. Em Julho desse ano, o 1635 foi transportado para as instalações da Aeromancia no Aeródromo de Tires. A desmontagem do avião demorou cerca de cinco meses após os quais foi levado para a sede da Aero Fénix em Vale de Lobos onde começou a ser restaurado. No final de 1999, regressou novamente a Tires para o início dos trabalhos mais pesados na sua estrutura.
Depois de iniciada a reconstrução, foi necessário interromper-se os trabalhos - por razões financeiras - e, no final de 2003
levou-se o avião para Santarém, onde ficou armazenado.
Em Dezembro de 2006, fruto de um protocolo com a Força Aérea Portuguesa, foi transportado para Alverca onde está
a ser reconstruído.

3 - CONFIGURAÇÃO FINAL
a) Aspecto exterior
Este avião será reconstruído de modo a ter o mesmo aspecto exterior que tinha no serviço militar.
No entanto, como a Força Aérea Portuguesa não autoriza o uso das suas insígnias por outros aviões que não os da F.A.P. (dentro do território nacional), o Museu Aero Fénix irá optar pelo primeiro esquema de pintura usado por este avião aquando da sua vinda para Portugal: todo amarelo com o número de série no estabilizador vertical.
b) Aspecto interior
Como este trabalho não é uma preservação nem um restauro, mas sim uma reconstrução, o aspecto interior do avião será o mais parecido possível com o aspecto original, sendo usados aviónicos modernos conforme os requisitos do Anexo 8 da Organização da Aviação Civil Internacional e do Instituto Nacional de Aviação Civil. Em todo o caso, sempre que possível serão usados instrumentos originais desde que estes cumpram com uma eficiência e uma fiabilidade aceitáveis.

REQUISITOS DE PRESERVAÇÃO
A estrutura foi completamente decapada da pintura, inspeccionada e tratada contra a corrosão. Em alguns locais da estrutura monocoque do cone da fuselagem foi necessária a remoção de painéis do revestimento exterior permitindo que o tratamento anti-corrosão chegasse eficazmente a todos os locais mesmo aos mais recônditos.
Esta reconstrução requereu a reparação e a re-manufactura de alguns componentes; todos eles foram sujeitos ao mesmo tratamento em termos de prevenção da corrosão.

FUSELAGEM
A estrutura tubular da fuselagem, foi completamente decapada, submetida aos testes de magnaflux e com líquidos penetrantes (para detectar possíveis fendas e rachas); seguidamente, foi aplicado o tratamento anti-corrosão e a pintura. A cor usada foi o verde tipo zinc chromate de modo a ser mantido o aspecto original pois trata-se de um dos principais componentes do ambiente interior do cockpit.
Nas estruturas principais em aço, foi usado um desoxidante enquanto que a limpeza de ferrugem superficial, existente nas superfícies expostas ao ar, foi feita com escovas de fibra de vidro com baixo índice de abrasividade. Nas partes de acesso mais difícil foi usado o jacto de glass bead. Cada peça de aço foi tratada individualmente antes da sua pintura com a cor original.
O cone traseiro da fuselagem foi desmontado de modo a permitir uma inspecção mais cuidada do seu estado interior. Tanto as superfícies interiores como as exteriores foram sujeitas ao tratamento anti-corrosão normalmente efectuado em superfícies de alumínio.

COCKPIT
Áparte dos aviónicos e dos instrumentos, o cockpit deverá ter um aspecto o mais parecido possível com o original. Foram adquiridos painéis transparentes novos em plexiglass; o pára-brisas também é novo.

TREM DE ATERRAGEM
Os componentes do trem de aterragem foram desmontados
, limpos e reparados cumprindo com os requisitos exigidos para este fim.

ASAS
Nas partes de acesso mais difícil foi usado o jacto de glass bead como forma de limpeza.
Todas as tampas das janelas de acesso foram retiradas de modo a permitir uma inspecção do estado do interior das asas; foram ainda retirados os painéis do revestimento ao longo de toda a envergadura, para uma inspecção mais cuidada. Tanto as superfícies interiores como as exteriores foram sujeitas ao tratamento anti-corrosão normalmente efectuado em superfícies de alumínio.

EMPENAGEM
À empenagem foi aplicado o mesmo procedimento das asas.

TELAS E LEMES
A entelagem dos lems (ailerons, lemes de profundidade e de direcção) foram enteleados por um especialista da Amicale Jean Baptiste Salis.

MOTOR
O motor deste avião é um Pratt & Whitney R-1340-AN-1 de 600 HP. Já foi adquirido um motor em estado "como novo" (submetido a overhaul).

DECORAÇÃO: PINTURA E INSÍGNIAS
O primário e as tintas a aplicar são materiais modernos melhor indicados para este tipo de trabalhos e de uso mais corrente na Aviação.
As cores são semi-brilhantes, de um modo geral, e o tipo de tinta é o esmalte e o poliuretano. Todos os detalhes interiores estão a ser pintados a condizer ao máximo com as cores originais.